Carmem Farage
Carmem Farage é psicóloga clínica, autora e fundadora do
Instituto Lumni. Sua trajetória profissional começou na psicologia
e na psicanálise freudiana e, ao longo de mais de quatro décadas
de prática clínica, ampliou-se pelo diálogo com a
psicologia analítica, a psicologia transpessoal,
os estudos da consciência, a filosofia e a espiritualidade.
Seu trabalho nasce das questões encontradas na própria clínica:
os limites da interpretação, a experiência simbólica e espiritual,
a relação entre psique e consciência, a alteridade e os processos
de transformação humana.
Ao longo desse percurso, desenvolveu a Clínica da Tradução,
uma abordagem clínica que procura acolher diferentes formas de
experiência sem reduzi-las antecipadamente a uma única explicação. A escuta psicodinâmica permanece como eixo do processo terapêutico, podendo ser articulada, quando há indicação, a recursos simbólicos, imaginais e experienciais.
Formação e percurso
Graduada em Psicologia, possui formação em psicanálise freudiana e desenvolveu estudos continuados em psicologia analítica, psicologia transpessoal e estados ampliados de consciência.
Realizou pós-graduação em Espiritualidade e Estudos da Consciência, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, onde investigou as relações entre psique e espírito e os desafios clínicos envolvidos no acolhimento de experiências espirituais.
Sua investigação filosófica dialoga especialmente com Pierre Teilhard de Chardin, cuja compreensão do ser humano como realidade em processo sustenta sua reflexão sobre consciência e transformação, e com Emmanuel Lévinas, cuja filosofia da alteridade contribui para uma posição clínica que procura compreender o Outro sem reduzi-lo ao saber do terapeuta.
Clínica da Tradução
A Clínica da Tradução resulta de décadas de prática clínica, reflexão teórica e revisão do próprio percurso profissional.
Sua questão central é simples e exigente: como acolher e investigar experiências que excedem as categorias habituais da clínica sem transformá-las em verdades impostas pelo terapeuta nem reduzi-las ao que já sabemos explicar?
A abordagem parte de uma posição de abertura ontológica e rigor epistemológico. Isso significa que experiências simbólicas, espirituais ou incomuns podem ser acolhidas em sua importância para o paciente sem que o terapeuta determine antecipadamente sua natureza última.
Produção intelectual
Carmem Farage é autora de livros e ensaios dedicados à psicologia profunda, espiritualidade, estudos da consciência, filosofia e prática clínica.
Sua produção recente concentra-se especialmente nas relações entre alteridade, consciência, experiência espiritual e epistemologia clínica, buscando compreender como a experiência pode ser traduzida em elaboração, responsabilidade, liberdade e transformação na vida concreta.
