

O jesuíta, o cientista e o homem condenado ao silêncio
Pierre Teilhard de Chardin viveu dividido entre duas fidelidades que, para ele, jamais foram verdadeiramente contraditórias.
De um lado, era sacerdote jesuíta. Havia entregado sua vida à Companhia de Jesus, feito votos de pobreza, castidade e obediência e assumido profundamente a tradição cristã. De outro, era cientista, geólogo e paleontólogo.


Teilhard de Chardin: o homem que viu o espírito nascer da matéria
Há pensadores que constroem sistemas. Outros tentam responder a uma ferida. Pierre Teilhard de Chardin pertence à segunda espécie. Sua obra nasceu de uma cisão que atravessou a modernidade e que ainda não conseguimos superar completamente: de um lado, a ciência descrevendo um universo material em evolução; de outro, a religião falando de um mundo criado, dotado de sentido e orientado para Deus. Entre ambas, instalou-se durante muito tempo uma espécie de fronteira: para aceita


A CONSCIÊNCIA NASCE NO CÉREBRO?
A questão acerca da origem da consciência — se esta emerge como produto da atividade cerebral ou se o cérebro atua como mediador de uma instância que o ultrapassa — permanece como um dos problemas mais persistentes e indecididos no campo das ciências da mente. Longe de constituir um impasse recente, trata-se de uma tensão que atravessa a filosofia, a neurociência e a psiquiatria contemporâneas, evidenciando os limites de uma abordagem estritamente reducionista na explicação d


O +Ser e a clínica do futuro: nem todo sofrimento vem da falta
Nem todo sofrimento vem da falta Existe uma ideia bastante difundida de que o sofrimento humano está diretamente ligado ao que aconteceu no passado, como se os eventos vividos carregassem em si mesmos a força suficiente para determinar o presente. Essa leitura, embora não seja totalmente equivocada, é profundamente limitada, porque desloca o eixo da experiência para fora do sujeito, como se a vida psíquica fosse apenas um efeito tardio daquilo que já se passou. O que a clí


Por que entender não transforma
P or quê? Version française disponible ci-dessous Há uma ideia amplamente difundida — e, em certa medida, confortável — de que Compreender a própria história é suficiente para produzir mudança. Como se o sofrimento estivesse diretamente ligado à falta de clareza, e como se, uma vez iluminados os seus determinantes, ele naturalmente se dissolvesse. No entanto, a experiência clínica mostra, de forma insistente, que isso não se sustenta. O sujeito compreende, elabora, nom
